A bicicleta é um veículo com duas rodas presas a um quadro, movido
pelo esforço do próprio usuário através de pedais.
Sumário
1. Etimologia
2. História
3. Evolução
4. Pneu
8. Galeria de
imagens (modelos)
A palavra deriva do latim bi (dois) e do grego
kyklos (rodas), sendo um
veículo de duas rodas. Do inglês bicycle com o diminutivo francês bicyclette, foi adaptado do castelhano como bicicleta.
Os primeirros traços da
existência da bicicleta tal como a conhecemos hoje, ocorreram em projetos do
renomado inventor italiano Leonardo da Vinci, por volta de 1490. Quase dois
séculos depois (em 1680), Stephan Farffler, um alemão construtor de relógios,
projetou e construiu algumas cadeiras de rodas tracionadas por propulsão manual
através de manivelas, mas o certo é que o alemão Barão Karl von Drais pode ser considerado o inventor da
bicicleta, pois, em 1817 ele implementou um brinquedo que se chamava celerífero, desenvolvido pelo Conde
de Sivrac em 1780. O celerífero fôra construído em madeira com duas rodas
interligadas por uma viga e um suporte para o apoio das mãos e destinava-se
apenas a tração utilizando-se dos pés quando o "velocipedista"
postava-se na viga de madeira. O Barão Drais instalou em um celerífero um
sistema de direção que permitia fazer curvas e com isto manter o equilíbrio da
bicicleta quando em movimento, além de um rudimentar sistema de frenagem. O
sucesso foi tanto que em abril de 1818, o próprio Barão Drais apresenta seu
invento no parque de Luxemburgo, em Paris,
e meses mais tarde faz o trajeto Beaune - Dijon,
na França. Drais patenteou a novidade em 12 de janeiro de 1818 em Baden,
Paris e outras cidades européias. Mesmo sendo um avanço para a
época, seu "produto" não tornou-se popular e o Barão foi
ridicularizado e seu projeto o tornou um homem falido.
Em pleno século de revoluções
industriais e científicas como foi o século XIX, não demorou muito para a draisiana ser modificada
e melhorada. Poucos anos se passaram, após o registro de Drais, e o
"veículo" foi apresentado em uma estrutura de ferro e também recebeu
uma sela, melhorando em resistência e conforto.
No dia 20 de abril de 1829 aconteceu a primeira competição que
se tem conhecimento utilizando-se do veículo de duas rodas da época. Neste dia,
competiram 26 draisianas percorrendo 5 quilômetros dentro da cidade de Munique.
Em 1839,
o escocês Kirkpatrick Macmillan
adapta ao eixo traseiro duas bielas ligadas por uma barra de ferro.
Isto provocou o avanço da roda traseira, dando-lhe maior estabilidade e
possibilidade de manuseio e manejo rápido. Com esse mecanismo a bicicleta ficou
mais segura e estável, pois nas curvas evitava o antigo jogo do corpo para o
lado oposto ao movimento a fim de manter estável o equilíbrio, já que o
equipamento em si era bastante pesado.
No ano de 1855
o francês Ernest Michaux inventa o
pedal, que foi instalado num veículo de duas rodas traseiras e uma dianteira.
Os pedais eram ligados à roda dianteira, e o invento ficou conhecido como
velocípede, palavra oriunda do latim velocidade e pé ou velocidade movida a pé.
Alguns consideram-no a primeira bicicleta moderna, e na verdade ficou sendo
chamado de triciclo posteriormente.
A prefeitura de Paris
criou, em 1862, caminhos especiais nos parques para os velocípedes para
não se misturarem com as charretes e carroças, dando assim origem às primeiras
ciclovias, pois era comum alguns acidentes, rotineiramente os animais das
charretes e carroças assustavam-se, causando sustos e ferimentos aos
condutores. No mesmo ano, Pierre Lallement viu alguém andando com uma draisiana e teve a
ideia de construir seu próprio veículo, mas com a adaptação de uma transmissão
englobando um mecanismo de pedivela giratório e pedais fixados no cubo da roda
dianteira. Ele então acabou criando a primeira bicicleta propriamente dita
depois que mudou-se para Paris em 1863.
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1490 (Leonardo da Vinci) |
1817 ( draisiana) |
1820 |
1868 |
Os velocípedes do início da segunda metade do século XIX tinham os pedais
fixos ao eixo da roda da frente que era, portanto, simultaneamente motora e
diretriz. A velocidade de deslocamento dependia exclusivamente da aceleração
rotativa dos pedais e o desejo de obter maior rendimento levou os construtores
a procurar um recurso que favorecesse a ação mecânica do velocipedista. A solução
mais fácil foi o aumento do diâmetro da roda motora, levando ao aparecimento,
em 1874, da "grande
bi" ou "biciclo",
com rodas desiguais, ou seja, uma que atingia um diâmetro de um metro e meio e a de trás reduzida ao mínimo
necessário para garantir o equilíbrio.
A partir da década de 1870, os
progressos foram rápidos e consecutivos. Em 1877
os pedais passaram a funcionar na base do quadro, presos a uma engrenagem
dentada que uma corrente ligava ao eixo da roda traseira por intermédio doutra
engrenagem de menor número de dentes (um sistema on-line de transmissão),
assegurando assim, a multiplicação variável conforme as dimensões relativas das
duas engrenagens.
Em 1890 aparecia, na Inglaterra, um aparelho
chamado "cripto",
cujas principais alterações consistiam na presença de rolamentos sobre esferas
nos pedais e na aplicação de câmaras de ar às rodas, pois antes, as rodas dos
velocípedes não passavam de aro metálico ou de madeira, recoberto, em sua
periferia, de borracha maciça destinada a amortecer os choques e ressaltos nos
acidentes do caminho. A roda tubular em borracha com uma "alma"
contendo ar comprimido foi uma invenção do veterinário escocês Dunlop.
Evolução da bicicleta
Pierre Lallement, um francês fabricante de carrinhos de bebês, entrou com a
primeira patente de um modelo de velocípede nos Estados Unidos da América
em 1866, fabricando algumas unidades, porém, sem muito sucesso.
Lallement vendeu sua patente e os projetos para os irmãos Oliver que se
associaram ao ferreiro Pierre Michaux para fundar,
na França, a empresa Michaux
and Company, em 1875. Assim nasceu a primeira indústria de bicicletas
consolidada pelo mercado consumidor, pois as mesmas tornaram-se uma mania em Paris.
Entre o final da década de 1880 e 1900,
o mercado de peças e acessórios em torno da bicicleta cresceu. Um importante
passo para a segurança e o conforto dos "bicicletistas", foi no
desenvolvimento e produção do pneu. Em 1888
John Boyd Dunlop patenteou o pneu com câmara de ar e pouco
tempo depois, em 1891, Edouard Michelin, Francês,
aparece nas competições com seus pneus sem câmara de ar.
Club de ciclistas alemães em
Curitiba - 1895
No final do século XIX a bicicleta
chega ao Brasil vinda da Europa e os primeiros relatos de sua
existência em território tupiniquim são no Paraná, mais precisamento em Curitiba, cidade que recebeu muitos imigrantes europeus desde
a segunda metade do século XIX e em São Paulo.
Na capital paranaense, em 1895, já existia um clube de ciclistas
organizados por imigrantes da colônia alemã local e em São Paulo, dona Veridiana da Silva Prado
constrói a primeira praça do país contendo um velódromo. Esta praça era dentro de sua chácara, na região da consolação
(atualmente é a Praça Roosevelt), em 1895.
Logo em seguida é fundado, na capital paulistana, o Veloce Club Olímpico Paulista; porém, não podemos afirmar, com
toda a certeza, que foi no sul ou sudeste do Brasil a primeira aparição do
"veículo", mas como a incidência muito grande de imigrantes europeus
no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principalmente de alemães
(inventores do velocípede), e as famílias abastadas de São Paulo, indicam uma
grande probabilidade de que é nestas regiões que ocorreram os primeiros
passeios de bicicleta, vindas do velho continente. Isso porque a bicicleta era
um produto muito distante para a realidade brasileira entre o final do século
XIX e as primeira décadas do século XX, pois o custo de importação ser muito elevado,
associando a inexistência de fabricante em território brasileiro.

Dona Veridiana, construtora do
1° velódromo do Brasil
Com os adventos da Primeira Guerra Mundial e
a crise americana de 1929, a
industria ciclística brasileira restringia-se a fabricação de selim e paralamas
e as marcas de bicicletas que dominavam o mercado eram: Bianchi, Lanhagno,
Peugeout, Dupkopp, Phillips, Hercule,
Raleigh, Prosdócimo, Singer, Caloi e Monark,
todas importadas da Europa ou dos Estados Unidos, sendo vendidas em lojas como:
Prosdócimo, Casa Luis Caloi, Mappin Stores e Casa Muniz (Prosdócimo, Monark e
Caloi, por exemplo, eram bicicletas montadas no Brasil, sendo suas peças
importadas dos seus países de origem). A virada desta situação começou em
meados da década de 1940, quando
houve dificuldades de importação das peças em função da Segunda Guerra Mundial.
Empresas como Caloi, Monark e IRCA (Irmão Caloi, uma cisão da família Caloi)
passaram a produzir grande parte das peças e a partir da década de 1950, as bicicletas destas marcas eram produzidas
integralmente no Brasil, graças ao governo de Getúlio Vargas, que visando fortalecer a indústria nacional e
a criação de postos de trabalho, aplicou um corte drástico nas quotas de
importação dos bens de consumo, atingindo as montadores de bicicletas.
Entre a década de 1950 e os anos de 1970, o Brasil possuíu trinta fabricantes que
produziam aproximadamente cinquenta marcas/modelos de bicicletas. Mas a partir
da década de 1980, apenas
duas fábricas: a Caloi e Monark, dominavam 95% do mercado, mesmo assim, houve
um novo impulso na fabricação e vendas neste nicho de mercado, graças ao
empenho dos fabricantes em juntar forças entre sí, ao criarem, em 1976,
a ABRACICLO (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Motonetas,
Bicicletas e Similares).

Ciclovia na cidade de Curitiba
A partir dos anos de 2000, os governos locais de vários centros urbanos do
Brasil, além do governo federal, passam a projetar investimento em ciclovias, propiciando, assim, um nova procura no velho
veículo de duas rodas, seja para lazer, esporte ou para substituir o automóvel
no deslocamento residência-trabalho.
O ciclismo como atividade desportiva teve seus primeiros atos
oficiais na Inglaterra com a criação da Bicicle
Union (BU) no final do século XIX e alguns anos depois da BU, a itália
criou a União Velocipédica Italiana.
Em 1892 houve a intenção de oficializar competições a nível continental
com a criação da Internacional Cyclist
Association (ICA), com sede em Londres, agrupando as entidades da Inglaterra, Bélgica, Itália, Holanda, Alemanha e França, mais o Canadá e os Estados Unidos da América.
Com a ICA, o ciclismo
tornou-se um esporte popular quando passou a oficializar competições européias
que antes eram organizadas por entidades partuculares e assim o ciclismo pôde
fazer parte da primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna realizado em Atenas,
em 1896. A nível mundial, o ciclismo ganhou força com a criação
da União Ciclística
Internacional (Union
Cycliste Internationale), fundada em 4 de Abril de 1900 na cidade de
Paris (atualmente sua sede é em Aigle, na Suíça).
A primeira corrida de ciclismo documentada foi uma corrida de 1.200
metros ocorrida em 31 de Maio de 1868
no Parque de Saint-Cloud, Paris.
A corrida foi vencida pelo inglês expatriado Dr. James Moore que correu
em uma bicicleta com pneus maciços de borracha.
A primeira corrida cobrindo a
distância entre duas cidades foi Paris-Rouen e também foi vencida por James Moore, que
percorreu os 123 quilômetros que separam as cidades em 10 horas e 40 minutos.
A Volta de Portugal
é uma das disputas esportivas do ciclismo mais antigas do mundo e é um dos
acontecimentos mais populares em Portugal. A primeira edição da
"Volta" ocorreu no ano de 1927 e o pódio
deste ano foi: António Augusto Carvalho
(1° lugar), Nunes de Abreu (2°
lugar) e Quirino de Oliveira
(3° lugar).
Abaixo as principais peças e
sistemas que constituem a bicicleta ou velocípede. Como existe uma
diversificado de expressões locais e regionais, bem como, entre o Brasil e
Portugal, alguns itens apresentam estas variações.
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Câmbio traseiro |
Conjunto pedivela + Pedais |
Sistema de freio dianteiro |
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Selim |
Quadro |
Conjunto roda + pneu |
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